quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Análise Microeconômica I - Resenha

Fundamentos da Economia / Marco Antônio S. Vasconcellos, Manuel E. Garcia – 3ª ed. – São Paulo: Saraiva, 2008.

1. Produção e Custos

Este texto trata das teorias para os cálculos de maximização de custos em uma atividade produtiva. Para tanto, utiliza os conceitos econômicos, contábeis e de metodologia básica de custos, apresentando tabelas e gráficos que traduzem estas análises.
O conteúdo se divide em 3 grandes capítulos, quais sejam: Teoria da Produção, Custos de Produção e Maximização dos Lucros. Utiliza-se de uma narrativa direta e técnica, explicando cada item de cálculo de forma direta, dando bastante enfoque para os primeiros dois capítulos, pois, do entendimento destes, fica mais fácil a sua aplicação para o último capítulo, ou seja, para o cálculo da maximização dos lucros.
Teoria da Produção:
Produção é o processo de transformação de insumos em produtos finalizados. Pode-se dividir em produção física e prestação de serviços. O objetivo aqui é alcançar a maior eficiência econômica possível. Supondo que a empresa esteja trabalhando eficientemente, os custos irão variar em função da mão-de-obra e do capital investido.
Os custos fixos e variáveis se constituem na divisão ampla em que os fixos são mais difíceis de serem diminuídos, pois são, em geral, os relacionados às instalações da empresa e só se conseguiria diminuir no curto prazo; os custos variáveis são relativos ao volume de produção e pode diminuir facilmente, mas geralmente, acarretando em uma diminuição da produção.
A análise de curto prazo se divide em produtividade total, média e marginal; para cada uma delas existem fórmulas de variação para cálculos e tomada de decisão.
Um conceito importante para os economistas é a Lei dos rendimentos decrescentes que consiste em elevar a quantidade do fator variável, permanecendo fixa a quantidade dos demais fatores, a produção inicialmente aumentará a taxas decrescentes; a seguir, depois de certa quantidade utilizada do fator variável, continuará a crescer a taxas decrescentes; continuando o incremento da utilização do fator variável, a produção total chegará a um máximo, para depois decrescer. Esta lei é um fenômeno de curto prazo, mas se aumentarmos os custos fixos, passará para uma análise de longo prazo.
A hipótese de que todos os fatores são variáveis caracteriza a análise de longo prazo dando origem aos conceitos de economias ou deseconomias de escala. As causas geradores desses fatores são a maior especialização do trabalho e a indivisibilidade entre os fatores de produção.
Custos de Produção:
Para otimizar os resultados de uma empresa deve-se levar em consideração dois objetivos: a) maximizar a produção para um dado custo total e; b) minimizar o custo total para um dado nível de produção.
Os custos totais da produção são divididos em custos variáveis totais e custos fixos totais que também são divididos em curto e longo prazo.
As principais diferenças entre a visão econômica e a visão contábil-financeira estão nos seguintes conceitos: custos de oportunidades e custos contábeis; externalidades (custos privados e sociais) e custos e despesas.
Os custos contábeis são os normalmente conhecidos na contabilidade privada, ou seja, são custos explícitos, que sempre evoluem um dispêndio monetário. É o gasto efetivo, explícito, na compra ou aluguel, contabilizado no balanço da empresa.
Já, os custos de oportunidade são implícitos, relativos aos insumos que pertencem à empresa e que não envolvem desembolso monetário. São estimados a partir do que poderia ser ganho no melhor uso alternativo. Existem fórmulas para calcular este custo.
As economias externas podem ser definidas como as alterações de custos e benefícios para a sociedade derivadas da produção das empresas, ou também como as alterações de custos e receitas da empresa devidas a fatores externos.
Na teoria microeconômica tradicional, não é feita uma distinção rigorosa entre os conceitos de custos e despesas, como é feito na contabilidade.
Maximização dos Lucros:
Define-se lucro total como a diferença entre as receitas de vendas e seus custos totais de produção; receita marginal como o acréscimo da receita total da empresa quando essa vende uma unidade adicional do seu produto e custo marginal é o acréscimo do custo total de produção da empresa quando essa produz uma unidade adicional do seu produto. Sinteticamente, sendo a receita marginal maior que o custo marginal o empresário terá interesse em aumentar a sua produção, chegando no máximo, ao equilíbrio onde:
RMg = CMg
RMg: receita marginal;
CMg: custo marginal;
Desse modo, seu lucro total será máximo.
Para finalizar, outro conceito importante é o Ponto de Equilíbrio, que representa o nível de produção em que a receita total é igual ao custo total (lucro zero), e a partir do qual a empresa passa a gerar lucros, contudo, ele é um conceito essencialmente contábil, pois não considera o custo de oportunidade, como fazem os economistas.

2. Estruturas de Mercado

Esta segunda parte trata das estruturas de mercado e suas características, fazendo a divisão dos tipos de concorrência e seus conceitos.
As várias formas ou estruturas de mercado dependem fundamentalmente de 3 características:
a)      número de empresas que compõem esse mercado;
b)      tipo do produto;
c)      barreiras de acesso às novas empresas nesse mercado.
Para tais modelos pressupõe que todas as empresas maximizem o lucro.
Concorrência pura ou perfeita: há um grande número de vendedores de tal forma que apenas uma não afeta a oferta do mercado nem o preço de equilíbrio. Suas características são o mercado com grande número de empresas, produtos homogêneos, não existem barreiras e todas as informações sobre lucros e preços são conhecidos por todos os participantes do mercado.
Deve-se salientar que, na realidade, não existe o mercado tipicamente de concorrência perfeita, sendo talvez o mercado de produtos hortifrutigranjeiros o exemplo mais próximo.
Monopólio: é o oposto da concorrência perfeita. Nele existe um único empresário. A curva de demanda da empresa é a própria curva da demanda do mercado como um todo. Ela determina o preço de equilíbrio. Contudo, isso não significa que o monopolista poderá aumentar seus preços indefinidamente, pois, se o preço se elevar em demasia, pesará muito no orçamento dos consumidores, que tenderão a consumir menos desse produto.
Para que exista o monopólio, deve haver barreiras que impeçam a entrada de novas firmas no mercado, quais sejam: exigência de elevado volume de capital, patentes e controle de matérias primas básicas.
Oligopólio: é um tipo de estrutura normalmente caracterizada por um pequeno número de empresas que dominam a oferta de mercado. O setor produtivo brasileiro é altamente oligopolizado: montadoras de veículos, setor de cosméticos, indústria de bebidas, química e farmacêutica, dentre outros exemplos.
Um tipo de oligopólio comum é o cartel que é uma organização de produtores dentro de um setor que determina a política de preços para todas as empresas que a ela pertencem.
Também, há empresas líderes que fixam preços respeitando a estrutura de custo das demais que é chamado de liderança de preços.
É possível dividir em mais dois nichos que são os oligopólios com produtos diferenciados e com produtos homogêneos.
Concorrência monopolística: é uma estrutura intermediária entre a perfeita e o monopólio, mas que não se confunde com o oligopólio e tem como características existir um número relativamente grande de empresas e a margem de manobra para fixação dos preços não muito ampla.
Estruturas de mercado de fatores de produção:
a)      concorrência perfeita no mercado de fatores corresponde àquele em que o fator de produção é abundante o que torna o preço constante;
b)      monopólio no mercado de fatores quando há um monopolista na venda de insumos;
c)      oligopólio no mercado de fatores quando poucas empresas produzem um determinado insumo;
d)      monopsônio que há somente um comprador para muitos fornecedores;
e)      oligopsônio em que há poucos compradores negociando com muitos vendedores;
f)        monopólio bilateral ocorre quando um monopsonista, na compra de um fator de produção, defronta com um monopolista na venda desse fator.
No Brasil, desde os anos 1960, existem diversas legislações que procuram coibir os abusos de poder econômico em defesa da concorrência e da proteção aos consumidores. Quando se prova que a limitação da concorrência não propicia ganhos aos consumidores em termos de menores preços pode-se determinar que os negócios entre empresas (compra, fusão) sejam desfeitos.

Claudemir Azevedo
Graduando do Curso de Ciências Atuarias da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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